Queimei os Navios! A difícil decisão que me salvou quanto me senti perdida

Há exatamente dois anos tomei uma decisão difícil, corajosa e arriscada. Pedi demissão de um emprego que me remunerava muito bem, pagava meus desejos e da minha família, me dava status, me gerava contatos e não posso negar, também me deu muita alegria.

Só que essa alegria vinha diminuindo e diminuindo e eu me peguei compensando cada vez mais o desânimo com coisas materiais. Ou seja: um clássico caso de auto sabotagem e auto enganação. Alto salário, conta vazia.

A sorte é que sempre fui muito intuitiva pra dar me dar uma chacoalhada, porque no que se refere a auto conhecimento, tão necessário naquele momento pra ajudar a me entender, eu estava um desastre. Portanto, com os meu próprios recursos internos, na base da intuição, conversei comigo mesma: algo estranho estava acontecendo às vésperas dos meus 40 e já não dava mais pra negar. Eu precisa me reinventar e recomeçar algo novo.

Pronto, estava declarada uma nova intenção e daí sempre vem o Universo conspirando, ajudando, colocando-se a disposição de quem quer ver as oportunidades.

Ele então colocou na minha frente a seguinte frase: “Se você não trabalhar pelo seu sonho, alguém vai te pagar para trabalhar pelo dele”. Estava lançada a ultima pá de cal sobre a minha trajetória como empregada. Acabou, game over, disse a mim mesma!

O jogo agora é outro: hora de direcionar toda essa energia produtiva para o meu sonho, que diga-se de passagem, já tinha sido adiado algumas vezes desde a adolescência. Eu sempre quis empreender! E por vários motivos eu fugi, mas isso é um outro artigo.

Falta de pertencimento, angústia, chateação, vitimismo, gastos exacerbados, choro, cansaço e aquela inveja dos que tinham liberdade de ir e vir, que eram donos do seu tempo. Esse era o retrato dos meus sentimentos na época.

Me lembro que gostava muito de estudar, me atualizar, viajar para Congressos, e isso já não fazia mais parte da minha rotina. Além das empresas não investirem mais em treinamento naquela época, nem que eu quisesse investir do meu próprio bolso eu conseguiria dar uma fugida! Não dava tempo! A vida corporativa tem sempre uma reunião mais importante do que a sua necessidade de se reciclar. E isso se tornava algo evidentemente patético pra uma pessoa que gostava tanto do que fazia, sem sentido. Como assim eu não tinha mais tempo de me atualizar???

Mas nem sempre foi assim, eu pensava! Então tinha mesmo algo de muito errado acontecendo. Eu amei trabalhar no mundo corporativo e vivi os tempos áureos que me deram muita bagagem e conhecimento. Gratidão!

Trabalhei com pessoas brilhantes que vejo até hoje, que idolatro pela inteligência e competência e torço por elas. Quanto mais agora que sei o que é a liberdade, o que é ter a dádiva de trabalhar por algo meu, admiro ainda mais a doação desses executivos comprometidos, intra empreendedores, porque não é nada fácil trabalhar pelo sonho dos outros.

É claro que conheci também os “executivos babacas”, o mundo corporativo está cheio deles. Mas felizmente meu caminho foi muito mais cercado de gente boa, competente, do bem, acelerada, comprometida. E ali aprendi que, ou você é comprometido ou não é, não existe meio comprometimento.

“A maneira com que você faz uma coisa, é a maneira com que você faz qualquer coisa na sua vida”, já dizia T Harv Eker, autor do livro “Os Segredos da Mente Milionária”, que tive o prazer de assistir ao vivo no Rio de Janeiro.

Ouvi ele repetindo isso várias vezes durante esse evento e a frase ficou na minha cabeça.

Portanto, meu amigo, se você não é comprometido no seu emprego hoje, dificilmente será no seu negócio. O empreendedorismo é um estado interno de compromisso gigantesco com o seu sonho. Você precisa se comprometer muito mais do que imagina.

Aí, olhando pra trás, me dei conta que naquela época da demissão eu só fui tão decidida porque seria incapaz de violar esse pacto interno: ou eu ficava ali comprometida, ou não teria mais sentido continuar.

Sabe jogador de futebol que prefere parar antes da decadência? Pois era assim que eu achava que tinha que ser. O sentimento de que não tinha mais vontade de me comprometer com o “sonho dos meus empregadores” me assombrava e tava incomodando, e assim, dessa forma, da noite pro dia, eu decidi: não posso mais ficar.

Essa foi então a primeira e grande decisão rumo a minha felicidade: pedi a demissão ainda sem muitos planos concretos, queimei os navios* ou a ponte, como tanta gente fala, e só fui conhecer esse famoso jargão mais tarde. Entrei pro bloco do General Cortez, o queimador de navios. Esse homem nunca antes na história esteve tão famoso, porque hoje com a internet, difícil é não saber o que é “queimar pontes” ou “afundar navios”.

Um número bem considerável de líderes de opinião e pensamento falam disso corriqueiramente. Em dois anos vi uma explosão gigante do movimento de empreendedorismo no Brasil e na internet. Não por acaso, vem dela o impulso dos novos empreendedores. É lá que o terreno está fértil.

Todo dia na internet tem alguém se projetando como expert e construindo autoridade digital na sua área de atuação e com isso acaba criando o seu novo trabalho do sonhos, fazendo o que gosta e conseguindo ser bem remunerado por isso.

Quer você goste ou não, acredite ou não, o fato é que muita gente tem apresentando bons resultados trabalhando pela internet e está conseguindo finalmente se libertar da sina do emprego pseudo-estável para viver da sua paixão e ser muito próspero financeiramente com isso. E a cereja do bolo: sem abrir mão de realização profissional e pessoal.

Basta dar uma boa pesquisada e vai achar vários casos de sucesso. Mas há quem fique buscando as histórias de fracasso apenas, pra sustentar a sua decisão de não tentar se libertar do emprego que não gosta. Isso é bem normal e não se culpe, apenas decida agir diferente a partir de agora!

Nós fomos doutrinados a evitar o fracasso na vida e por isso escolhemos sempre caminhos “mais seguros”. E assim vamos abrindo mão de ser felizes tantas vezes, presos mentalmente à possibilidade de dar tudo errado. Mas essa falta de liberdade “mental” vai nos matando aos poucos; a nossa natureza não é ser infeliz.

E vamos ser francos: essa possibilidade do fracasso é real, ela existe, mas o fracasso é inerente ao sucesso. Você vai fracassar algumas vezes até chegar onde deseja. Porém, o nome disso é aprendizado. Substitua a palavra fracasso por aprendizado e vai ver o que acontece na sua vida. Planeje-se financeiramente para poder fracassar! E a cada fracasso, significa que estará mais próximo do sucesso.

Tem muita gente embasbacada (e também chateada!) com ao sucesso de tantas pessoas na internet. Essas pessoas, atordoadas e com aquela pontinha de inveja, assumiram o papel de críticos de arquibancada, que investem seu tempo em assistir o sucesso dos outros para criticar. Sugiro não julgarmos essas pessoas, pois imagino que elas estão apenas se sentindo perdidas e com raiva de quem tomou as rédeas da vida, pela sua própria incapacidade momentânea de fazer o mesmo. Mal sabem elas que podem fazer o mesmo e muito mais, se acreditarem em si próprias e mudarem sua mentalidade e atitude. Ao invés de julgar, me sinto mais inclinada a continuar compartilhando a minha mensagem para tentar ajudá-las a despertar! Quem sabe assim não acabo ajudando mesmo.

O fato é que em todo lugar tem o fraudulento e o autêntico, o picareta e o honesto, o bom e o ruim, o simpático e o mala. O par de opostos faz parte da vida e não está só na internet. Não é porque a pessoa se projetou na internet que ela tem que ser uma fraude necessariamente. Não é porque a pessoa fatura altos dígitos que ela necessariamente é uma mentirosa, um desonesto.

Atenção: se alguém está tendo resultado, dê o crédito e vá lá ver! O cético é aquele que analisa pra depois questionar e não aquele que fica na arquibancada criticando o que não conhece e o que não põe em prática.

Eu tenho horror de gente mentirosa e sei que a internet também está cheia deles. Mas o que estou tentando dizer aqui é: se você não é um mentiroso e tem valor, a internet é o seu lugar, é lá que você vai colocar os seus talentos a serviço do mundo, monetizar a sua paixão, empreender no seu sonho e ter a vida que você merece.

Como diz o meu avô, aos quase 90 anos, com uma lucidez invejável: “sou cidadão, sou patriota, faço minha parte” (ele ainda manda carta pra ministro, presidente, autoridade em tudo que é canto com sugestões!)

O provérbio chinês também ensina: “comece a limpar o mundo limpando a calçada da sua casa”.

E se você acha que a internet está cheia de pilantras, e eu sei que eles existem, também preciso dizer que tenho cruzado muito pouco com eles. O território é enorme, fértil e eu escolho me misturar com a banda boa.

Acho muito chato quem só sabe criticar. Vem pra internet colocar seu talento, sua mensagem, seu conteúdo e você estará ajudando a limpar a área, pois os pilantras não se sustentam a longo prazo. A transparência do mundo hoje é grande demais para permitir isso.

Bom, pedido de demissão decidido,  aí veio uma segunda decisão bem legal: no mesmo dia, peguei logo 4500 reais e investi em um programa de desenvolvimento pessoal, online! Sim, online!

Olhei, gostei e disse a mim mesma: não sei o que vai dar, mas mal não vai fazer. E mais: preciso investir em mim antes de sair investindo num negócio como uma marionete do mercado.

Repeti pra mim mesma uma nova crença fortalecedora (e olha que eu não sabia o que era “crença limitante” nessa época viu?). A nova crença foi: preciso me conhecer, me fortalecer e esse curso parece que vai me ajudar mais do que eu economizar esse dinheiro, mesmo sabendo que estou sem salário daqui pra frente.

Não tinha feito nada de desenvolvimento pessoal e foi ótimo, amei! E me ajudou um monte. Foram os 4.500 reais mais bem gastos naquele ano difícil, onde eu precisaria tanto de dinheiro quanto da mentalidade pra fazer dinheiro. Só que agora por minha conta, no vôo solo que me dava tanto medo quanto entusiasmo.

Daí pra frente me coloquei fortemente em movimento, mas com comprometimento. Movimento com comprometimento é ação imediata e constante, todos os dias. Só se movimentar a esmo e sem consistência não vale!

Surgiu a ideia, através de uma conversa, de fazer um primeiro projeto na internet que unia duas áreas que eu gostava muito: educação e marketing. Eu não sabia nada daquilo, eu nunca tinha gravado um video pra internet, eu não sabia nada de tecnologia, eu estava até meio obsoleta pra falar a verdade, e mesmo assim eu peguei a oportunidade.

Fui co-organizadora do Primeiro Congresso Online de Marketing com mais de 50 palestrantes e foi um estouro! E que desafio foi aquele, meu Deus! Tenho dor de barriga só de lembrar dos bastidores do primeiro congresso Marketing Minds. Tenho riso frouxo só de lembrar dos perrengues.

Mas deu tudo certo! Me joguei com comprometimento e de novo tudo fez sentido. Portanto, comprometa-se com o seu sucesso que as chances aumentam estratosfericamente! Compromisso inabalável é pré-requisito para empreender.

A maneira como eu havia me portado no mundo corporativo por duas décadas, comprometida, era como eu ia jogar no meu primeiro projeto solo, só que estava ainda mais apaixonada. Adicione paixão ao comprometimento e você vai virar um trator; experimenta!

Do dia pra noite fiquei já um pouco conhecida no empreendedorismo digital, conheci pessoas boas e competentes, alguns viraram bons amigos. Conquistei uma primeira audiência e dali surgiria o negócio.

No empreendedorismo digital nós temos uma máxima: Comece pela audiencia, o produto é uma consequência.

E a moral da história desse episódio em que abracei o desconhecido em tempo recorde é a seguinte: se você tem medo, vai com medo mesmo, é um bom sinal que você está fazendo algo maior por você, pela sua família e pelo mundo.

Ouvi uma frase da Rafaela Cappai esses dias que gostei demais: “O medo morre de medo da ação”.

Que frase perfeita! Faça dela a sua grande companheira de jornada e daí pra frente é “mão na massa” o tempo todo, como eu gosto de falar sempre. Adoro quando um dos meus alunos faz um post e escreve lá: “mão na massa, né Carol?” Não há nada que me gratifique mais! Saber que essa mensagem tá “colando no ouvido deles”.

O que veio depois? Uma série de erros, aprendizados, alguns desânimos, recomeços, alguns pivôs de estratégia e finalmente meu propósito se apresentou pra mim. Me tornei coach e amo o que faço atualmente. Tenho ajudado cada vez mais pessoas a empreenderem no seu sonho, com a ajuda da internet, e isso me preenche muito hoje. Novos propósitos surgirão, tenho certeza, pois tem muita estrada pela frente. E a verdade é que um propósito puxa o outro, e assim a vida e trabalho com mais propósito entram na sua rotina.

Mas eu tive paciência de esperar! Isso é fundamental. Poderia ter desistido antes como tantos que não resistem às frustrações. Mas lembra daqueles 4.500 mais bem gastos naquele ano? Pois é, eles me serviram e muito nesse período. A fortaleza interna me salvou. Eu ainda não tinha os resultados que gostaria, mas estava me tornando uma pessoa que eu gostava mais, uma melhor versão, em construção.

Escrevi o ebook Mudar, Reinventar e Empreender para ajudar a tantos como eu, que se sentem perdidos profissionalmente, enjaulados, sem saída, reféns da mentalidade de que só o emprego é seguro.

Eu não faço apologia da demissão, por favor! Mas eu faço sim campanha pras pessoas buscarem ser felizes naquilo que fazem e encontrarem um propósito no seu trabalho.

Pra mim, pedir demissão só fez sentido quando o incômodo bateu, e a dor cresceu, e eu percebi que precisava viver o meu projeto de empreender que estava engavetado. Pode fazer sentido pra você ou não, mas se você tiver auto conhecimento, não vai precisar contar só com a “intuição” como eu fiz. Eu estava despreparada em auto conhecimento naquela época e a intuição me salvou.

Não existe um único caminho certo, existe aquele que faz sentido pra você. E a maior lição de todas é que somente você vai conseguir fazer por você. Somente você pode trilhar o caminho com as próprias pernas, por mais que alguém tente ajudar. Toda ajuda é muito bem vinda, mas é preciso colocar a mão na massa, e lidar com todos os fracassos que fazem parte do percurso.

De preferência faça isso antes do Pacto da Mediocridade** se instalar, porque é melhor que você queime os navios no seu “auge”, super pronta para o próximo desafio, do que abrir mão do seu comprometimento.

Poderia ficar aqui por mais umas 1000 palavras citando outras decisões que fizeram a diferença, mas acredito que essa conversa aqui já cumprem o propósito desse artigo.

E pra que não exista dúvida sobre esse propósito, ele não é: peça demissão! Ele é: MUDE quando alguma coisa não fizer mais sentido pra você. Só você pode mudar.

Se, no mínimo, você se colocar em intenção e movimento comprometido, a transformação já terá começado e você e o universo juntos vão saber o que fazer nos próximos passos.

Às vezes você vai precisar se perder pra se encontrar, só sugiro que não perca sua bússola interna. Ela te salva!

 

* Queimar os Navios: a expressão que faz referência a atitude do General espanhol Hernan Cortez é uma analogia a situações onde não podemos mais voltar atrás. Sempre que estamos diante de um novo desafio e assumimos que vamos abrir mão de algo sem volta rumo a uma nova direção,  dizemos que vamos “queimar os navios” ou “queimar a ponte”. O sucesso na nova empreitada é uma decisão. Você vai tentar até conseguir em vez de recuar.
** Não sabe o que é o Pacto da Mediocridade? Eu falo dele no inicio do meu livro e vale a pena dar uma lida e identificar os sintomas. Baixe aqui: Mudar, Reinventar e Empreender.

 

 

8 respostas
  1. Andréia Guimarães
    Andréia Guimarães says:

    Puxa, Carol, deu show no artigo, me sinto muito grata a Deus por ter conhecido você, a sua história é um diferencial, vive o que prega! Obrigada por este artigo, e já que você curte, encerro meu comentário dizendo que já estou com a mão na massa, graças a seu incentivo! Beijos!

    Responder
  2. Renata
    Renata says:

    Adorei! faz muito sentido! Esse artigo tem que ser lido por aqueles que criticam esse “novo mundo”, como se fosse uma apologia a demissão. Escuto muitas críticas a isso, e compartilho, assim como você Carol a ideia de que tem muita gente falando bobagem na internet, em busca de ganhar algum proveito disso, mas o que importa é estar com as pessoas boas! Você é a média das 5 pessoas com quem mais convive!!!Gratidão por te conhecer!

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  3. Hildo
    Hildo says:

    Olha, este artigo pra mim foi um dos melhores que já li, as dicas, as explicações são excelentes e a gente se identifica em várias partes do texto. Parabéns Caroline Caracas!!!

    Responder
  4. Carmen
    Carmen says:

    Artigo super sincero e motivador. Por sorte e para minha alegria conheci a Caroline dois dias depois de aperceber me que estava precisando reinventar me.

    Decidi fazer parte da terceira turma do empreende se e posso dizer que está sendo um valioso investimento, nossa o que eu estou aprendendo não tem preço. obrigada por tudo Caroline Caraças e “mão na massa” è a minha 0alavra chave.

    Sucessos

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  5. Jardielma Torres (Jade)
    Jardielma Torres (Jade) says:

    Belo artigo… é possível imaginar os momentos difíceis e vibrar com a conquista do encontro de sua felicidade. Parabéns Carol, estou nesse momento de queimar os navios e espero que eles virem cinzas logo.rsrs Sucesso.

    Responder

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